Resumo Cape Epic 2019

Cape Epic: tudo que acontece numa ultramaratona de MTB

Lições aprendidas após oito dias da maior prova de mountain bike por etapas do mundo

Aquela velha expressão que o “jogo só acaba quando termina” pode soar gasta, mas é uma afirmação perfeita para definir todo o drama de uma prova de mountain bike por etapas. A 16ª edição da Absa Cape Epic, que terminou neste domingo (24) com uma etapa “curta” de 70 quilômetros e 1,2 mil metros de subidas acumuladas, encerrando-se na Champs-Élysées do MTB em Val de Vie Estate em Stellenbosch, na África do Sul. No total foram oito dias, cerca de 650km percorridos e 16 mil metros de altimetria.

Duelo de titãs

O brasileiro Henrique Avancini, ao lado do alemão Manuel Fumic (Cannondale Factory Racing) foram os protagonistas da prova, travando um duelo direto com o time Scott-SRAM MTB-Racing dos suíços Nino Schurter e Lars Forster. E o velho ditado veio à prova depois de uma troca de líderes ao longo dos oito dias, culminando com o título para os suíços.

No entanto, o vice-campeonato foi uma evolução para o brasileiro Avancini, que terminou a Cape Epic do ano passado em terceiro e foi quinto em 2017. “Foi uma semana muito difícil, mas acho que fizemos uma competição muito boa. Já terminamos em quinto, quarto, terceiro e agora segundo. Falta apenas um degrau para chegarmos lá. No geral estou muito feliz. Acho que chegamos aqui muito preparados para esta edição e fizemos o que pudemos. Ficamos com a camiseta amarela por dois dias, tivemos alguns problemas, mas não tenho nada a reclamar, já que foi uma briga boa e uma boa semana de provas”, resumiu o piloto.

Polêmicas e redes sociais

Sim, até mesmo na melhor prova de MTB do planeta, as polêmicas fazem parte do cotidiano dentro e fora das pistas. Após o prólogo, a primeira etapa começou com declarações de Avancini dizendo que “as bikes deveriam ter microfones para o público conhecer o verdadeiro Nino Schurter” que tratou os companheiros de prova de forma nada amigável e cordial quando os times tentavam se organizar na fuga. O discurso inflamado de Avancini aconteceu na entrevista no calor logo após cruzarem a linha de chegada. Nino rebateu que faz parte do “jogo mental” da competição. Depois disso, Avancini amenizou e disse que exagerou pela sua conta no Instragram.

High Fives para Annika e Anna

Domínio do time feminino de Annika Langvad e Anna van der Breggen
Domínio do time feminino de Annika Langvad e Anna van der Breggen

É comum o ligeiro domínio de uma equipe ou outra numa Ultramaratona. Agora o que ninguém esperava era o 99.9% de aproveitamento de Annika Langvad e Anna van der Breggen (Investec-songo-Specialized) que fecharam a Cape Epic com a sétima vitória, apenas um segundo lugar e o título sólido da competição, com quase 30 minutos de vantagem sobre as adversárias.

Langvad acumulou seu quinto título na Ultramaratona de MTB. “O Absa Cape Epic é sempre tão intenso, os altos e baixos. Foi muito emocionante este ano, uma semana boa e realmente gostei de andar com Anna e formar uma nova parceria” – conta Langvad que com seu quinto título igualou-se ao recorde de outros grandes nomes do Absa Cape Epic, como Karl Platt e Christoph Sauser. “Toda vez são provas épicas e diferentes. Pedalar ao lado de uma “roadie” e transformá-la em um mountain biker foi incrível. Observá-la melhorando dia a dia tem sido uma ótima experiência” – concluiu.

Grande mestre Abraão Azevedo

Na categoria Grand Máster, para atletas acima dos 50 anos, o Brasil também foi muito bem representado pelo brasiliense Abraão Azevedo, parceiro de Bart Brentjens (1º campeão olímpico de MTB). A dupla da equipe CST Sandd Bafang venceu TODAS as etapas na categoria e ainda terminou na 30ª posição geral de 600 equipes. Vale destacar que essa é parceria de sucesso, que iniciou ainda nos primórdios da Brasil Ride, e agora já venceram por cinco vezes a Cape Epic.

Mecânicos da madrugada

A rotina de uma Ultramaratona de MTB é puxada para todos os envolvidos. Enquanto os atletas profissionais estão focados apenas em pedalar, os times contam com uma estrutura própria de mecânica, massagem e hidratação. Com isso, ao longo da semana o trabalho é praticamente 24 horas, revisando as bikes até a madrugada, com limpeza, trocas de pneus, pastilhas de freios e qualquer outro serviço necessário para deixar as bikes perfeitas. Acompanhe o vídeo acima para conhecer as histórias dos mecânicos Yanick do time Scott-SRAM MTB Racing e Jumanji, mecânico da Specialized Racing.

Tropa de Apoio

Independentemente do trabalho dos mecânicos e staffs das equipes profissionais, a maioria dos competidores na Cape Epic são formados por amadores que dependem de toda estrutura da organização para “sobreviver” ao longo da semana. Como já tornou-se uma tradição nas Ultramaratonas de MTB pelo mundo, os participantes dormem em barracas de acampamento, fazem as necessidades em banheiros containers, comem em imensos refeitórios e ainda tem lounges para descanso com acesso à internet. Enfim, é uma verdadeira caravana, já que o evento utiliza pelo menos três bases durante a semana, ou seja, a organização constrói uma verdadeira cidade itinerante para acomodar quase 5 mil pessoas entre atletas, voluntários, staffs, imprensa, prestadores de serviços, entre outros. No vídeo acima você pode acompanhar um pouco da rotina neste documentário de 2015.

Trilhas maravilhosas

E para terminar, o mais importante para os participantes é a qualidade das trilhas e visuais espetaculares que a prova percorre, por isso vamos finalizar com a série de vídeos somente com as paisagens mais bonitas de 2019.

Fonte: RedBull.com
Escrito por Andre T. Piva

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