Vai comprar uma E-Bike

Vai comprar uma E-Bike

Vai comprar uma E-Bike? Provavelmente vai se deparar com muitos modelos, diferentes potências, formas de aceleração, componentes que uma bicicleta convencional não possui e termos específicos que não conhecia. Como fazer a escolha certa?

1 – Considere suas necessidades

Avalie em que situação você vai utilizar a e-bike: se ela vai substituir a atual forma de locomoção diária (deslocamentos ao trabalho, escola e comércio), ou se será utilizada para lazer e passeios. Com base nisso, antes de adquirir sua bicicleta elétrica, enumere o que você deseja: economizar com gastos do carro e transporte público, ter mais força para vencer uma colina, ter mais autonomia para alcançar maiores distâncias, dentre outros. Essas informações irão nortear qual é a melhor e-bike para o seu caso.

2 – Bateria

A bateria é a fonte da energia que alimenta o motor. Como tem uma vida útil, sua substituição é o que representa o maior custo da e-bike. Por isso, quando for comprar a sua e-bike, pergunte sobre o preço para trocar a bateria, e se é fácil consegui-la.

No mercado brasileiro, as baterias de chumbo, semelhantes às baterias de carro, são bastante comuns, mas aos poucos estão perdendo espaço para as baterias de lítio, semelhantes às de notebook. A utilização das baterias de lítio vem crescendo muito e é a química de bateria mais promissora. Quando você for comprar a sua e-bike, poderá escolher entre um modelo e outro avaliando os seguintes itens.

as baterias perdem um pouco de carga, mesmo quando estão paradas: a isso se dá o nome de autodescarga. As baterias de chumbo possuem uma das mais baixas autodescargas entre as baterias recarregáveis, durando até o dobro do que as baterias de lítio. Essa informação é útil se a bicicleta será utilizada sazonalmente. Mas cuidado, pois a bateria não pode ser guardada sem carga: mesmo enquanto você não utiliza a e-bike, é obrigatório recarregar a bateria periodicamente.

toda bateria possui um ciclo de vida, baseado na quantidade de recargas e no seu envelhecimento, que ocorre independentemente do uso. Em média, a vida útil da bateria de lítio chega próximo de 1.000 recargas, enquanto a bateria de chumbo possui vida útil de cerca de 400 ciclos de recarga. Mesmo assim, depois de aproximadamente um ano as baterias apresentam um declínio em sua capacidade de armazenar energia, devido ao envelhecimento.

as baterias de lítio são mais rápidas para recarregar. Em geral, as recargas das baterias de lítio demoram de 2 a 4 horas para estarem completas, enquanto as baterias de chumbo geralmente demoram de 6 a 8 horas. Outro inconveniente da bateria de chumbo é que ela deveria ser plugada para recarga sempre, depois do uso, independentemente do nível de energia que ainda tenha.

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3 – Motor

Há dois tipos de motores. O Brush é o motor com escovas, e o Brushless, que é o motor sem escovas. Este último é mais eficiente e silencioso. Com relação ao motor, o item mais importante a ser analisado é a potência. Caso o seu percurso seja plano, você mantenha uma velocidade constante e não sobrecarregue a bike, um motor de 180 a 250 watts já é suficiente. Esses motores geralmente têm a opção de pedalar junto, ou seja, a energia que move a bike é dividida entre você e o motor. Se você não pode pedalar muito em decorrência de alguma deficiência, ou vai enfrentar terrenos com mais relevo, a versão de 350 watts é mais indicada. Motores com 600 watts são sugeridos para pessoas com maior limitação de mobilidade física, ou para ciclistas mais pesados, e para situações em que é preciso enfrentar fortes subidas; eles dão uma sensação semelhante a uma moto elétrica. Pode haver uma queda de rendimento em situações de ventos contrários muito fortes, colinas, superfícies lentas, como a lama, pneus descalibrados etc. Quanto maior a potência, maior a velocidade e a aceleração possível de atingir com a e-bike: por isso, seja cauteloso na escolha e utilização.

4 – Acelerador

Este é um dos itens mais importantes a ser analisado. Se você quer pedalar o tempo todo e apenas contar com o auxílio elétrico como um facilitador, opte pelas pedelecs, que são e-bikes com sistema de pedal assistido. Neste caso, a aceleração acontece ao pedalar, através de sensores de velocidade ou torque. Os sensores de velocidade ativam o motor quando a bike atinge determinada velocidade; os sensores de torque ativam o motor quando determinada força é aplicada aos pedais. Em todos os casos, você não para de pedalar. No Brasil, é mais comum os sensores de velocidade, também chamados de sensores de giro, pois os sensores de torque são mais caros e de difícil manutenção.

Se você tem alguma debilidade física que o impeça de pedalar, opte pelas bicicletas com aceleradores manuais, que podem ser do tipo twist and go (gira e vai), semelhantes aos de moto, ou do tipo thumb, que é acionado com o dedo polegar. Essas bicicletas são indicadas para deficientes e idosos, pois a bicicleta funciona independente da pedalada: basta acelerar. Torna-se uma forma de incluir na mobilidade cicloviária quem antes não podia optar pela bicicleta.

Há, ainda, um meio termo entre as pedelecs e as e-bikes com aceleradores manuais: são as bicicletas elétricas com aceleração mista. Neste caso, o ciclista pode escolher entre pedalar com sensores ou apenas acelerar manualmente a bike através de um botão. São indicadas para pessoas com limitações mais leves, que não as impedem de pedalar, mas que em uma situação de maior necessidade, como retomar a velocidade depois do semáforo, por exemplo, preferem optar pela aceleração manual. Outro caso: se você quer utilizar a bike para ir trabalhar, sendo que prefere acelerar na ida, para não chegar suado, e voltar pedalando, para fazer o exercício do dia, a indicação é por uma e-bike com aceleração mista.

5 – Faça um test drive

Esse é o ponto mais importante. É imprescindível testar alguns modelos antes de fechar a compra. Mas o que fazer durante o test drive?

Tipos de aceleração: experimente as variações de aceleração, pois as sensações são diferentes entre uma pedelec e uma bicicleta com acelerador manual.

Suba uma colina: ou enfrente o vento de frente, ou passe por um terreno difícil e lento, enfim, sinta a reação da bike quando a situação exigir um pouco mais da bicicleta.

Teste os diferentes modos de energia: algumas e-bikes oferecem opções que economizam ou liberam mais energia. Ande em todas as variações para sentir o comportamento da bike.

Pedale sem o auxílio elétrico: é essencial testar a bike com o motor desligado para sentir como seria pedalar quando a bateria se esgotasse. Em especial, sentir o peso da bicicleta.

Preste atenção nos acessórios: teste os câmbios, perceba o sistema de suspensão, enfim, verifique se os itens da bicicleta atendem às exigências do percurso. Se você não conhece muito dos componentes de bikes, peça ajuda para alguém que conheça.

Aceitar o auxílio elétrico não é trapaça, é uma forma inteligente de ser um carro a menos e aproveitar os trajetos de maneira acessível e integrado à cidade. No final das contas você vai pedalar mais longe, mais vezes, e muito!

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